sábado, 14 de agosto de 2010

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM

SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM

Com Florence Nightingale a enfermagem iniciou sua caminhada para a adoção de uma prática baseada em conhecimentos científicos, abandonando gradativamente a postura de atividade caritativa, intuitiva e empírica. Com esse intuito, diversos conceitos, teorias e modelos específicos à enfermagem foram e estão sendo desenvolvidos, com a finalidade de prestar uma assistência, ou seja, planejar as ações, determinar e gerenciar o cuidado, registrar tudo o que foi planejado e executado e, finalmente, avaliar estas condições, permitindo assim gerar conhecimentos a partir da prática, realizando assim o processo de enfermagem (Friedlander, 1981).

Na década de 70, Wanda de Aguiar Horta (Horta, 1979), desenvolveu um modelo conceitual, no qual a própria vivência na enfermagem, levou-a procurar desenvolver um modelo que pudesse explicar a natureza da enfermagem, definir seu campo de ação específico e sua metodologia. Essa mesma autora define o processo de enfermagem, como sendo a dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano.
No processo de enfermagem a assistência é planejada para alcançar as necessidades específicas do paciente, sendo então redigida de forma a que todas as pessoas envolvidas no tratado possam ter acesso ao plano de assistência (Campedelli et al., 1989).
Segundo Araújo et al. (1996), o processo de enfermagem possui um enfoque holístico, ajuda a assegurar que as intervenções sejam elaboradas para o indivíduo e não apenas para a doença, apressa os diagnósticos e o tratamento dos problemas de saúde potenciais e vigentes, reduzindo a incidência e a duração da estadia no hospital, promove a flexibilidade do pensamento independente, melhora a comunicação e previne erros, omissões e repetições desnecessárias; os enfermeiros obtém satisfação de seus resultados.
Para Peixoto et al (1996), acreditam que o processo de enfermagem seja o instrumento profissional do enfermeiro, que guia sua prática e pode fornecer autonomia profissional e concretizar a proposta de promover, manter ou restaurar o nível de saúde do paciente, como também documentar sua prática profissional, visando a avaliação da qualidade da assistência prestada.
Após a promulgação da lei 7.498, de 25 de junho de 1986, referente ao exercício da enfermagem, dispõe o artigo 11, como atividades exclusivas do enfermeiro a consulta de enfermagem; prescrição da assistência de enfermagem; cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida; cuidados de enfermagem de maior complexidade e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.
O processo de enfermagem é sistemático pelo fato de envolver a utilização de uma abordagem organizada para alcançar seu propósito.
Portanto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma atividade privativa do enfermeiro, que através de um método e estratégia de trabalho científico realiza a identificação das situações de saúde/saúde, subsidiando a prescrição e implementação das ações de Assistência de Enfermagem, que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, família e comunidade.
A SAE requer do enfermeiro interesse em conhecer o paciente como indivíduo, utilizando para isto seus conhecimentos e habilidades, além de orientação e treinamento da equipe de enfermagem para a implementação das ações sistematizadas (Daniel, 1979).
A implementação da SAE, deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente devendo ser composta por (COREN, 1999; COREN, 2000):
· Histórico de Enfermagem;
· Exame Físico;
· Prescrição da Assistência de Enfermagem;
· Evolução da Assistência de Enfermagem;
· Anotações de Enfermagem.
Histórico de enfermagem
No Brasil, o histórico de enfermagem foi introduzido na prática por volta de 1965, por Wanda de Aguiar Horta, com alunos de enfermagem. Nessa época recebeu a denominação de anamnese de enfermagem e devido ao problema da conotação com a anamnese médica, foi adotado o termo histórico de enfermagem.
Para Horta (1979), o histórico de enfermagem também é denominado por levantamento, avaliação e investigação que, constitui a primeira fase do processo de enfermagem, pode ser descrito como um roteiro sistematizado para coleta e análise de dados significativos do ser humano, tornando possível a identificação de seus problemas.
Portanto, o Histórico de Enfermagem é o levantamento das condições do paciente através da utilização de um roteiro próprio, que deverá atender as especificidades da clientela a que se destina (Campedelli et al., 1989). Ele tem a finalidade de conhecer os hábitos individuais e biopsicosociais visando a adaptação do paciente a unidade e ao tratamento, assim como a identificação de problemas.
O Histórico de Enfermagem consiste de "um roteiro sistematizado para o levantamento de dados que sejam significativos para a enfermagem sobre o paciente, família ou comunidade, a fim de tornar possível a identificação dos seus problemas de modo que, ao analisa-lo adequadamente, possa chegar ao diagnóstico de enfermagem" (Cianciarullo, 1976). Num levantamento realizado entre as enfermeiras que executavam o histórico de enfermagem, constatou-se que o tempo médio gasto na aplicação do mesmo foi de 38 minutos com desvio padrão em torno de 10 minutos. Portanto, o tempo médio para o preenchimento do histórico gira em torno de 20 a 40 minutos(Campedelli et al., 1989).
Exame Físico
O enfermeiro deverá realizar as seguintes técnicas: inspeção, ausculta, palpação e percussão, de forma criteriosa, efetuando o levantamento de dados sobre o estado de saúde do paciente e anotação das anormalidades encontradas para validar as informações obtidas no histórico. A inspeção consiste na observação detalhada com vista desarmada, da superfície externa do corpo bem como das cavidades que são acessíveis por sua comunicação com o exteriror, como, por exemplo, a boca, as narinas e o conduto auditivo. A palpação é a utilização do sentido do tato das mãos do examinador, com o objetivo de determinar as caraterísticas da região explorada. A percussão consiste em golpear a superfície explorada do corpo para produzir sons que permitam avaliar as estruturas pelo tipo de som produzido. A ausculta é o procedimento pelo qual se detectam os sons produzidos dentro do organismo, com ou sem instrumentos próprios. Segundo Daniel (1979), o exame físico consiste no estudo bio-psico-sócio-espiritual do indivíduo, por intermédio da observação, de interrogatório, de inspeção manual, de testes psicológicos, testes de laboratório e do uso de instrumentos.
Diagnóstico de Enfermagem
O termo diagnóstico de enfermmagem surgiu na literatura na literatura norte-americana em 1950, quando Mac Manus propôs, dentre as responsabilidades do enfermeiro, a identificação dos diagnósticos ou problemas de enfermagem. A partir da década de 70 estudos foram realizados, com o objetivo de estabelecer uma classificação internacional dos diagnósticos de enfermagem (Cruz, 1995). Mais recentemente, a Associação Norte-Americana de Diagnósticos de Enfermagem (NANDA), dando continuidade aos estudos publicou em 1986 a primeira classificação internacional, denominada Taxonomia I, sendo atualizada posteriormente e republicada com Toxonomia II (Cruz, 1995).
No Brasil, a expressão diagnóstico de enfermagem foi introduzida por Wanda de Aguiar Horta, na década de 60, e constitui-se em uma das etapas do processo de enfermagem (Horta, 1979). Para Horta (1979), diagnóstico de enfermagem é a identificação das necessidades do se humano que precisa de atendimento e a determinação, pelo enfermeiro, do grau de dependência deste atendimento em natureza e extensão.
O enfermeiro após ter analisado os dados escolhidos no histórico e exame físico, identificará os problemas de Enfermagem, as necessidades básicas afetadas, grau de dependência e fará um julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família e comunidade aos problemas/processos de vida vigentes ou potenciais.
Prescrição de Enfermagem
A prescrição de Enfermagem é o conjunto de medidas decididas pelo Enfermeiro, que direciona e coordena a Assistência de Enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua, objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e manutenção da saúde.
Paim (1988), relata que a prescrição de enfermagem significa medidas de solução para os problemas do paciente, indicados e registrados previamente pelo enfermeiro, com finalidade de atender as necessidades humanas desse mesmo paciente sob sua responsabilidade.
Para Horta (1979), a prescrição de enfermagem é a implementação do plano assistencial pelo roteiro diário (ou aprazado) que coordena a ação da equipe de enfermagem na execução dos cuidados adequados ao atendimento das necessidades humanas básicas e específicas do ser humano.
Segundo Car, Padilha, Valente (1985), a prescrição de enfermagem:
· é um método de trabalho científico, por meio do qual o enfermeiro pode garantir uma função profissional específica;
· deve ser elaborada a partir de problemas prioritários do paciente sem, contudo, serem omitidos aqueles que deverão ser tratados a "posteriori";
· deve anteceder a prestação da assistência;
· deve ser elaborada de modo a expressar claramente o plano de trabalho;
· é o conjunto de ações determinadas, da qual não deve constar a especificação de passos que são inerentes a procedimentos padronizados.
Para Car, Padilha, Valente (1985), a prescrição de enfermagem deve:
· ser precedida de data;
· utilizar verbos de ação; no infinitivo;
· ser concisa e redigida em linguagem comum aos elementos da equipe;
· conter determinação de horários, que serão checados logo após a execução dos cuidados;
· ser elaborada diariamente para um período de 24 horas, mesmo que os cuidados a serem prescritos sejam iguais aos do dia anterior;
· ser reavaliada e modificada de acordo com as condições do paciente;
· especificar os cuidados em ordem cronológica de execução, conforme as prioridades estabelecidas;
· conter os cuidados de rotina, estabelecidos pela instituição, apenas quando os mesmos irão influir no cronograma de prestação dos cuidados;
· incluir a verificação dos sinais vitais pelo menos uma vez ao dia, mesmo que paciente não apresente anormalidades nesses parâmetros;
· conter as ações específicas da enfermaria;
· especificar os cuidados inerentes a determinados exames e medicações, na vigência de problemas identificados;
· excluir as ações que o paciente possa fazer sozinho, sem necessidade de acompanhamento, orientação ou supervisão de equipe de enfermagem;
· excluir cuidados inerentes a procedimentos técnicos padronizados.
Para Campedelli et al. (1989), o número de prescrições por enfermeiro varia conforme o nível de complexidade de assistência aos pacientes, sendo em torno de 5 a 10 o número de prescrições previstas para um período de 6 horas.
Evolução de Enfermagem
É o registro feito pelo Enfermeiro após a avaliação do estado geral do paciente. Desse registro devem constar os problemas novos identificados, um resumo sucinto dos resultados dos cuidados prescritos e os problemas a serem abordados nas 24 horas subseqüentes (COREN, 2000).
Para Horta (1979), a evolução de enfermagem é o relato diário ou periódico das mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano enquanto estiver sob assistência profissional, ou seja, uma avaliação global do plano de cuidados.
A evolução constitui o registro executado pelo enfermeiro, do processo de avaliação das alterações apresentadas pelo paciente e dos resultados das ações de enfermagem planejadas e implementadas relativas ao atendimento das suas necessidades básicas (Cianciarullo, 1997). Num levantamento realizado com as enfermeiras que realizavam a evolução e prescrição, constatou-se que o tempo gasto para realização das mesmas variou de 15 a 30 minutos 15 a 30 minutos e foi proporcional à diversidade de cuidados de enfermagem necessários e do estado de saúde dos pacientes internados (Campedelli et al., 1989).
Normas da evolução de enfermagem, segundo Campedelli et al., (1989):
· "a evolução é registrada em impresso próprio na coluna determinada. Prescrição e Evolução de Enfermagem.
· a evolução de enfermagem é feita diariamente para todos os pacientes internados ou em observação, devendo conter a data e o horário de sua execução.
· a evolução de enfermagem é refeita, em parte ou totalmente na vigência de alteração no estado do paciente, devendo indicar o horário de sua alteração.
· da evolução de enfermagem devem constar os problemas prioritários para assistência de enfermagem a ser prestada nas próximas 24 horas.
· na elaboração da 1ª evolução de enfermagem, o enfermeiro resume sucintamente as condições gerais do paciente detectadas durante o preenchimento do histórico e relaciona os problemas selecionados para serem atendidos já nessa primeira intervenção.
· para elaborar a evolução de enfermagem a enfermeira deve consultar a evolução e prescrição de enfermagem anterior, a anotação de enfermagem do período entre a última prescrição e a que está sendo elaborada, a evolução e prescrição médicas, os pedidos e resultados de exames laboratoriais e complementares, interconsultas, e realizar entrevista e exame físico.
· a evolução dos pacientes em observação no Pronto Atendimento é baseado no exame físico, nos sinais e sintomas e em outras informações relatadas pelo paciente ou acompanhante.
· a resolução do problema deve constar na evolução diária."
A evolução de enfermagem deve conter em ordem, segundo Horta (1979); Campedelli et al., (1989):
· data, hora;
· tempo de internação;
· motivo da internação;
· diagnóstico;
· discriminação seqüencial do estado geral, considerando: neurológico, respiratório, circulatório, digestivo, nutricional, locomotor e genito-urinário;
· procedimentos invasivos, considerando: entubações, orotraqueais, traqueostomias, sondagens nasogástricas e enterais, cateterizações venosas, vesicais e drenos;
· cuidados prestados aos clientes, considerando: higienizações, aspirações, curativos, troca de drenos, cateteres e sondas, mudança de decúbito, apoio psicológico e outros;
· descrição das eliminações considerando: secreções traqueais, orais e de lesões, débitos gástricos de drenos, de ostomias, fezes e diurese, quanto ao tipo, quantidade, consistência, odor e coloração e,
· assinatura e Coren.

Anotação de Enfermagem
Para Fernandes et al. (1981), a anotação é um instrumento valorativo de grande significado na assistência de enfermagem e na sua continuidade, tornando-se, pois, indispensável na aplicação do processo de enfermagem, pois está presente em todas as fases do processo.
A quantidade e principalmente a qualidade das anotações de enfermagem, desperta em outros profissionais da equipe multiprofissional o interesse e necessidade de consulta-las. Para a equipe médica, as anotações são meios valiosos de informações, fornecem bases para direcionar a terapêutica, os cuidados, a realização de novos diagnósticos.
Normas para as anotações de enfermagem Fernandes et al. (1981):
· preceder toda anotação de horário e preencher a data na página anotação do dia;
· anotar informações completas, de forma objetiva, para evitar a possibilidade de dupla interpretação: não usar termos que dêem conotação de valor (bem, mal, muito, bastante, entre outros);
· utilizar frases curtas e exprimir cada observação em uma frase;
· anotar imediatamente após a prestação do cuidado, recebimento de informação ou observação de intercorrência;
· nunca rasurar a anotação por ter essa valor legal; no caso de engano, usar "digo", entre vírgulas;
· não utilizar termo "o paciente", no inicio de cada frase, já que a folha de anotação é individual;
· deixar claro na anotação se a observação foi feita pela pessoa que anota ou se é informação transmitida pelo paciente, familiar ou outro membro da equipe de saúde;
· evitar o uso de abreviaturas que impeçam a compreensão do que foi anotado;
· assinar imediatamente após o final da última frase e escrever o nome e COREN. Não deixar espaço entre a anotação e a assinatura.
Observação: As abreviaturas podem ser eventualmente utilizadas, desde que seu uso seja consagrado na instituição.

Segundo Decisão COREN-SP/DIR/001/2000.
Artigo 1º - O registro deve ser claro, objetivo, preciso, com letra legível e sem rasuras.
Artigo 2º- Após o registro deve constar à identificação do autor constando nome, COREN-SP e carimbo.
Artigo 3º - O registro deve constar em impresso devidamente identificado com dados do cliente ou paciente, com data e hora.
Artigo 4º- O registro deve conter subsídios para permitir a continuidade do planejamento dos cuidados de enfermagem nas diferentes fases e para planejamento assistencial da equipe multiprofissional.
Artigo 5º- O registro deve permitir e favorecer elementos administrativos e clínicos para a auditoria em enfermagem.
Artigo 6º- O registro deve fazer parte do prontuário do cliente ou paciente e servir de fonte de dados para processo administrativo, legal, de ensino e pesquisa.
Artigo 7º - Os registros podem ser do tipo:- manual (escrito à tinta e nunca a lápis) e eletrônico (de acordo com a legislação vigente).

O que anotar
Informações subjetivas e objetivas, problemas/preocupações do cliente, sinais/sintomas, eventos ou mudanças significativas do estado de saúde, cuidados prestados, ação e efeito das intervenções de Enfermagem baseadas no plano de cuidados e respostas apresentadas.
Quando anotar
Sempre que ações de assistência forem executadas, mantendo o planejamento de enfermagem atualizado.
Onde anotar
Em impressos próprios, segundo modelo adotado pelo serviço de enfermagem da instituição.
Como anotar
O registro deve ser feito de forma clara e objetiva, com data e horário específico, com a identificação (nome, COREN-SP e carimbo) da pessoa que faz a anotação. Quando o registro for manual, deve ser feito com letra legível, sem rasuras. Na vigência de uma anotação errada, colocar entre vírgulas a palavra digo e anotar imediatamente após o texto correto.
Para que anotar
Para historiar e mapear o cuidado prestado; facilitar o rastreamento das ocorrências com o cliente a qualquer momento e reforçar a responsabilidade do profissional envolvido no processo de assistência de Enfermagem.
Quem deve anotar
Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem.
Implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem
O sucesso na implementação da SAE tem a sua origem no interesse da administração da divisão de enfermagem pelo sistema; assim sendo, os projetos executados tendem a ttrazer resultados favoráveisno que tange à aceitação das equipes de enfermagem e interdisciplinares. Não basta, porém, que indivíduos em cargos de chefia de enfermagem determinem o que deve ser feito; é indispensável que a iniciativa de aprender a planejar cuidados de enfermagem parta dos chefes; além do mais, devem ser estabelecidos critérios específicos de ação, no sentido vertical e horizontal. Portanto, o esclarecimento da equipe multiprofissional quanto à forma de trabalho é uma estratégia que auxilia a envolver os diferentes profissionais na SAE. Um fator motivante ao se introduzir qualquer novo projeto é o de incentivar as pessoas que irão implementá-lo a programarem conjuntamente as atividades correlatas. Qualquer mudança é melhor aceita se feita através dos que irão ter que viver por esta (Daniel, 1979).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- Araújo IEM. et al. Sistematização da assistência de enfermagem em uma unidade de internação: desenvolvimento e implantação de roteiro direcionador, relato de experiência. São Paulo: Acta Paul Enf 1996; 9:18-25.
2 - Campedelli MC et al. Processo de enfermagem na prática. São Paulo:Ática, 1989.
3 - Cruz ICF. da Diagnóstico e prescrições de enfermagem: recriando os instrumentos de trabalho. Texto e Contexto Enf 1995; 4:160-69.
4 - Car MC; Padilha KG; Valente SMTB. Ensino da prescrição de enfermagem médico-cirúrgica na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo:Rev Esc Enf USP 1985; 19(2): 135-144.
5 - Cianciarullo TI. Histórico de enfermagem: sua utilização em pacientes hospitalizados. São Paulo:Rev Enf Novas Dimensões 1976; 2(3): 162-3.
6 - Cianciarullo TI. Teoria e prática em auditoria de cuidados. São Paulo:Ícone, 1997.
7 - COREN-SP. Conselho Regional de enfermagem-SP. Normatiza a Implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - nas Instituições de Saúde, no âmbito do Estado de São Paulo. São Paulo, 1999. Anexo.
8- COREN-SP. Conselho Regional de Enfermagem -SP. Sistematização. 2000. 26:12-3.
9- COREN-SP. Conselho Regional de Enfermagem COREN-SP/2001 ) - Normatiza no Estado de São Paulo os Princípios gerais para ações que constituem a Documentação de Enfermagem, 2001. 3p.
10- Daniel LF. A enfermagem planejada. São Paulo:EPU/DUSP, 1979.
11- Fernandes RAQ; Salun MJL; Teixeira MB; Lemmi RCA; Miura M. Anotações de enfermagem. São Paulo: Rev Esc Enf USP 1981; 15(1):63-8.
12- Friedlander MR. O processo de enfermagem ontem, hoje e amanhã. São Paulo:Rev Esc Enf USP, 1981; 15:129-34.
13- Horta WA. Processo de enfermagem. São Paulo:EPU, 1979.
14- Paim L. Plano assistencial e prescrições de enfermagem. São Paulo:Rev Bras Enf 1988; 29(1):14-22.
15- Peixoto MSO et al. Sistematização da assistência de enfermagem em um pronto socorro: relato de experiência. São Paulo:Rev Soc Card 1996; 6(1):1-8.
ANEXO:

9

"Normatiza a Implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - nas Instituições de Saúde, no âmbito do Estado de São Paulo."
O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, no uso de suas atribuições a que alude a Lei 5905/73 e a Lei 7498 de 25 de junho de 1986, e tendo em vista deliberação do Plenário em sua 485ª reunião ordinária, realizada em 19 de outubro de 1999, e ainda,
Considerando a Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988 nos artigos 5o, XIII e 197;
Considerando os preceitos da Lei no. 7498 de 25 de junho de 1986, e o Decreto Lei no. 94406 de 08 de junho de 1987, no artigo 8o., I, alíneas c, e, f ;
Considerando o contido no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, nos termos que dispõe a Resolução COFEN-160/93;
Considerando que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - sendo atividade privativa do Enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença, subsidiando a prescrição e implementação de ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do indivíduo, família e comunidade;
Considerando a institucionalização do SAE como a prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo Enfermeiro;
Considerando que a implementação do SAE constitui, efetivamente, na melhoria da qualidade da Assistência de Enfermagem;
Decide:
Artigo 1o. Ao Enfermeiro incumbe:
I- privativamente
A implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem, que compreende as seguintes etapas:
Consulta de Enfermagem
Compreende o histórico ( entrevista ), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem.Para a implantação da assistência de enfermagem ,devem ser considerados os aspectos essenciais em cada uma das etapas, conforme descriminados a seguir:
Histórico
Conhecer hábitos individuais e biopsicosociais visando a adaptação do paciente a unidade e ao tratamento , assim como a identificação de problemas.
Exame Físico
O enfermeiro deverá realizar as seguintes técnicas: inspeção, ausculta, palpação e percussão, de forma criteriosa, efetuando o levantamento de dados sobre o estado de saúde do paciente e anotação das anormalidades encontradas para validar as informações obtidas no histórico.
Diagnóstico de Enfermagem
O enfermeiro após ter analisado os dados colhidos no histórico e exame físico, identificará os problemas de enfermagem , as necessidades básicas afetadas, grau de dependência e fará um julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família e comunidade aos problemas/processos de vida vigentes ou potenciais.
Prescrição de Enfermagem
A prescrição de enfermagem é o conjunto de medidas decididas pelo enfermeiro, que direciona e coordena a assistência de enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua., objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e manutenção da saúde.
Evolução de Enfermagem
É o registro feito pelo enfermeiro após a avaliação do estado geral do paciente. Desse registro devem constar os problemas novos identificados, um resumo sucinto dos resultados dos cuidados prescritos e os problemas a serem abordados nas 24 horas subsequentes.
Artigo 2o. A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - torna-se obrigatória em toda Instituição de Saúde, pública e privada, como Hospital, Casa de Saúde, Asilo, Casa de Repouso, Unidade de Saúde Pública, Clínicas e Ambulatórios, Assistência Domiciliar (Home-Care);
Artigo 3o. A implementação do SAE, considerando-se a necessidade de ocorrer, préviamente, a organização dos Serviços de Enfermagem, obedecerá aos seguintes prazos a seguir:
Até 30.07.2000 : a todos os pacientes considerados graves/críticos e de UTI (adulto, infantil e neo-natal) e um mínimo percentual de 10 à 20 % a ser determinado pelo Enfermeiro, nos casos de Assistência Domiciliar - Home Care - e Ambulatórios, considerando-se a incidência epidemiológica e ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos;
Até 30.07.2001 :a todos os pacientes internados ou assistidos (casos de Ambulatórios, Assistência Domiciliar - Home Care - )
Artigo 4o. A implementação do SAE nas Unidades de Saúde Pública deverá obedecer aos seguintes prazos a seguir:
Até 30.07.2000 : ao paciente portador de Doença crônico-degenerativa, Doença transmissível sexual ou não, Gestantes de risco, e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde, dentro de um percentual de 10 à 20 % a ser determinado pelo Enfermeiro, considerando-se a incidência epidemiológica e ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de riscos envolvidos;
Até 30.07.2001 : a todo o paciente portador de Doença crônico-degenerativa, Doença transmissível sexual ou não, Gestantes de risco, e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde;
Artigo 5o. A implementação do SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente, devendo ser composta por:
Histórico de Enfermagem
Exame Físico
Prescrição da Assistência de Enfermagem
Evolução da Assistência de Enfermagem
Relatório de Enfermagem
Parágrafo único: nos casos de Assistência Domiciliar - Home Care - , este prontuário
deverá permanecer junto ao paciente/cliente assistido, de acordo com o disposto no Código de Defesa do Consumidor
Artigo 6o. Os casos omissos no presente ato decisório serão resolvidos pelo COREN-SP.
Artigo 7o. A presente decisão entrará em vigor após homologação pelo COFEN e devida publicação no órgão de Imprensa Oficial do Conselho. São Paulo, 19 de outubro de 1999.
AKIKO KANAZAWA FUZISAKO
PRIMEIRA SECRETÁRIA
RUTH MIRANDA DE CAMARGO LEIFERT
PRESIDENTE
Decisão homologada pelo Conselho Federal de Enfermagem através da Decisão COFEN nº 001/2000 de 04 de janeiro de 2000.

cidentes com Abelhas – Formigas - Vespas Generalidades

cidentes com Abelhas – Formigas - Vespas
Generalidades

Acidentes envolvendo abelhas não são raros em nosso meio, uma vez que é um hábito difundido entre a população visitar sítios, parques e cachoeiras, o que aumenta a probabilidade de encontrar colméias e perturbar as abelhas.

O grande problema reside no acidente envolvendo enxames, uma vez que a exposição a 300 a 500 picadas, de uma só vez, podem ser fatais para um adulto.

Porém, em indivíduos hipersensíveis, uma única picada pode desencadear reação anafilática e óbito.

Nem todas as espécies estão envolvidas em acidentes, sendo a maioria deles provocados pelas abelhas africanizadas, que são as mais agressivas, as mais comuns e com maior atividade enxameatória.

Identificação

A família Apidae se divide em três subfamílias: Anthophorinae, Xylocopinae e Apinae, sendo apenas a última de importância médica. A subfamília Apinae se divide em quatro tribos:

Euglossini: apresenta abelhas verdes metálicas, que vivem em pequenas colônias ou de forma solitária;

Bombini: também conhecidas como "mamangavas", que são grandes, robustas, com o corpo coberto de cerdas. Não atacam o homem, exceto se sua moradia, que se encontra em moitas ou ninhos abandonados, seja molestada. Esta espécie de abelha não perde o ferrão.

Melliponini: também não possuem ferrão, mas mordem a pele ou se enrolam nos pêlos dos braços ou nos cabelos, caso seu ninho seja molestado. Atacam em bandos. Nesta tribo encontramos a Trigona ruficus (irapuá, arapuá ou torce-cabelo), que é preta e brilhante e a Tetragonisca angustula (jataí), abelhinha pequena, comprida e amarelada, que produz mel de muito boa qualidade. Existem ainda outas espécies.

Apini: engloba a Apis mellifera (abelha européia) e a Apis mellifera adamsoni (abelha africana) que se misturaram e produziram um híbrido extremamente agressivo: abelha africanizada, que é responsável pela maior parte dos acidentes envolvendo abelhas que ocorrem no Brasil. Possuem faixas marrons que se alternam com amarelas no abdome. Se molestadas ficam furiosas, geralmente atacam em massa e perseguindo o inimigo por mais de 700 metros.


Abelhas do gênero Apis possuem ferrão formado por dois estiletes que possuem espinhos microscópicos voltados para trás e uma lanceta, a qual permite a inoculação do veneno enquanto os estiletes perfuram a pele.

Características do Veneno

O veneno contém vários componentes tóxicos: enzimas, grandes peptídios e pequenas moléculas.

Entre as enzimas encontramos a hialuronidase, que é fator propagador, uma vez que acelera a difusão do veneno através dos tecidos.

Existe também a fosfolipase, cuja ação é relacionada à destruição de fosfolipídios de membrana levando à lise celular.

A fosfolipase A, que é a mais ativa das fosfolipases conhecidas é encontrada no veneno das abelhas.

Entre os grandes peptídios encontramos o peptídio degranulador de mastócitos, que é o principal responsável pela intoxicação histamínica que ocorre nas fases iniciais do acidente. Promove a liberação de mediadores de mastócitos e basófilos, como histamina, serotonina, derivados dos ácidos araquidônico e fatores que atuam sobre plaquetas e eosinófilos.

A melitina é outro grande peptídio. Possui ação hemolítica direta, leva à ruptura do arranjo de fosfolipídios de membrana de grupos celulares, principalmente musculares esqueléticas. Possui ação sinérgica com a fosfolipase A2. Constitui 50% do peso do veneno seco.

Entre as pequenas moléculas citam-se a secarpina, tetrarpina e procamina, que parecem ser destituídas de toxicidade.

Aminas biogênicas como histamina, serotonina, dopamina e noradrenalina estão presentes em quantidades insuficientes para explicar a fisiopatologia do envenenamento.

Quadro Clínico

As reações são variáveis de acordo com o número de picadas, local acometido e sensibilidade individual.

As manifestações podem ser alérgicas, ainda que a picada seja única ou tóxica se ocorrem picadas múltiplas.

Dor local aguda surge após uma ferroada e tende a desaparecer deixando rubor, prurido e edema no local por até alguns dias. A intensidade desta reação alerta para o estado de sensibilidade do indivíduo e complicações em picadas subsequentes.

As manifestações regionais tem início lentamente e se caracterizam por edema flogístico que evolui para enduração local que aumenta nas primeiras vinte e quatro a quarenta e oito horas mas diminui nos dias seguintes. Estas manifestações podem levar a limitação de movimento do membro acometido.

Pode ocorrer anafilaxia, com sintomas iniciando dois a três minutos após a picada. Além dos sinais locais existe cefaléia, vertigens, calafrios, agitação psicomotora, sensação de opressão torácica, prurido generalizado, eritema, urticária, angioedema e rinite. Edema de laringe e árvore respiratória que se manifesta como dispnéia, rouquidão, estridor e respiração asmatiforme podem estar presentes, assim como bronco-espasmo, prurido no palato ou faringe, edema dos lábios, língua, úvula e epiglote e disfagia. Náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos, diarréia e cianose também são observados. Hipotensão (sinal maior) que se manifesta como tontura, insuficiência postural e até colapso vascular total, arritmias cardíacas, palpitações e até infartos isquêmicos cerebral e cardíaco podem estar presentes em pacientes com aterosclerose.

Raros casos evoluem com reações alérgicas que se manifestam dias após o acidente. Os sintomas encontrados nestes pacientes são artralgias, febre e até encefalite.

Em acidentes envolvendo múltiplas picadas pode estar presente a síndrome de envenenamento que ocorre devido a quantidade de veneno inoculada. Instala-se um quadro de intoxicação histamínica que se manifesta com prurido, rubor e calor generalizados chegando a surgir pápulas e placas urticariformes. Em seguida surge hipotensão, taquicardia, cefaléia, náusea e/ou vômito, cólicas abdominais e broncoespasmo. O quadro pode evoluir para insuficiência respiratória aguda e choque.

A presença de dores musculares generalizadas intensas nas primeiras horas sugere rabdomiólise precoce.

Icterícia e anemia estarão presentes se houver hemólise de intensidade variável e instalação rápida.

Há ainda deposição de mioglobina e hemoglobina na urina, tornando-a escura.

Insuficiência renal aguda pode ocorrer secundária a ação nefrotóxica do veneno, hemólise, rabdomiólise e hipotensão arterial.

Há relato de intoxicação adrenérgica, que se manifesta por taquicardia, sudorese e hipertermia, necrose hepática, trombocitopenia, lesão miocárdica, coagulopatia, convulsões e arritmias cardíacas.

Complicações secundárias a insuficiência renal aguda e insuficiência respiratória (pulmão de choque) levam ao óbito.

Tratamento

Em acidentes causados por enxames os ferrões devem ser retirados através da raspagem com lâminas e não pelo pinçamento que poderá espremer a glândula do ferrão e inocular ainda mais veneno no paciente.

Para combater a dor está indicada analgesia por Dipirona, via EV, ou qualquer outro analgésico disponível.

No caso de anafilaxia deve ser feita administração de solução aquosa de adrenalina 1:1000, via subcutânea, sendo a primeira dose de 0,5 ml, que deve ser repetida com intervalo de dez minutos em adultos, se for necessário. Em criança a dose inicial é de 0,01 ml/kg/dose e deve ser repetida por duas ou três vezes em trinta minutos se não houver taquicardia.

Glicocorticóides e anti-histamínicos não controlam as reações graves mas diminuem a sua duração e intensidade. O succinato sódico de hidrocortisona deve ser administrado na dose de 500 mg a 1000 mg, via EV, e o succinato sódico de metilprednisolona deve ser aplicado na dose de 50 mg, via EV, até de doze em doze horas em adultos. Em crianças pode-se administrar 4 mg/kg de hidrocortisona de seis em seis horas.

Reações alérgicas tegumentares podem ser tratadas com corticóide tópico e anti-histamínicos como o maleato de dextroclorofeniramina, VO, na dose de 6 a 18 mg ao dia para adultos, 3mg/dia em crianças de 2 a 6 anos e 6 mg/dia em crianças de 6 a 12 anos.

A sintomatologia causada por broncoespasmo pode ser tratada com oxigênio sob catéter nasal, inalações e broncodilatadores b adrenérgicos (fenoterol/salbutamol) ou aminofilina, via EV, na dose de 3 a 5 mg/kg/dose, em infusão de 5 a 15 minutos até de seis em seis horas.

A diurese deve ser mantida entre 30 a 40 ml/hora em adultos e 1 a 2 ml/hora em criança, estando indicado o uso de diuréticos se for necessário. O equilíbrio ácido-básico, o balanço hidroeletrolítico e o padrão respiratório devem ser monitorizados.

O soro antiveneno ainda não está disponível e portanto choque anafilático, insuficiência respiratória e insuficiência renal aguda devem ser tratados rápida e eficazmente.

Não existe maneira de neutralizar o veneno na corrente sanguínea.

Exames Laboratoriais

Não existem exames específicos. Exame de urina rotina pode mostrar proteinúria, glicosúria e pigmento heme, e hemograma, que pode revelar leucocitose com neutrofilia e desvio a esquerda, devem sempre ser solicitados.

Os demais exames são solicitados de acordo com a gravidade do paciente, podendo ser incluídos: dosagem de CK, LDH, ALT (TGP), AST (TGO), aldolase, hemoglobina, haptoglobina sérica, bilirrubinas totais e fracionadas, coagulograma.

Pode ocorrer alterações no ECG.

No caso de múltiplas picadas, frações do veneno podem ser detectadas pelo método ELISA.

Complicações

Pode ocorrer edema de glote e choque anafilático com apenas uma picada e levar o paciente a óbito.

Na síndrome do envenenamento, observada em pacientes que sofreram mais de 500 picadas, distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, anemia aguda secundária a hemólise, depressão respiratória e insuficiência renal aguda são relatados com frequência. Nestes casos está indicado o uso de métodos dialíticos e de plasmoferese.

Vítimas de enxame devem ser mantidos em unidade de terapia intensiva pois a mortalidade destes pacientes é elevada.

Prognóstico

Bom quando não há anafilaxia ou alterações renais.
Acidentes com formigas

Trata-se de insetos, cuja estrutura social é complexa, abrangendo formas incapazes de reprodução (guerreiras e operárias) e rainhas e machos alados, responsáveis pelo surgimento de novas colônias.

Algumas espécies possuem aguilhão abdominal ligado a glândulas de veneno.

O acidente envolvendo múltiplas picadas é raro e acomete crianças, incapacitados e alcoólatras, na maioria das vezes em área rural.

Estes acidentes são raros em nosso serviço provavelmente devido à sua evolução benigna na grande maioria dos casos, exceto em pacientes hipersensíveis.

Identificação

Pertencem à ordem Hymenoptera, superfamília Formicoidea. Existe a subfamília Ponerinae que inclui a formiga tocandira, cabo-verde ou vinte-e-quatro-horas (Paraponera clavata) que pode atingir até 3 cm de comprimento e causar uma picada extremamente dolorosa, que causa edema e eritema locais assim como calafrios, sudorese e taquicardia.

Formigas conhecidas como formigas de correição pertencem à subfamília Dorelinae, gênero Eciton, são carnívoras, se locomovem em grande número e causam picada pouco dolorosa.

Formigas da subfamília Myrmicinae, gênero Solenopsis (formigas-de-fogo ou lava-pés) e gênero Atta (saúvas) são importantes sob o ponto de vista médico, uma vez que as formigas Solenopsis atacam em grande número e se tornam agressivas se o formigueiro é invadido. Uma só formiga é capaz de ferroar dez a doze vezes por que fixa sua mandíbula na pele e ferroa em torno desse eixo e sua picada é extremamente dolorosa. Causa lesão dupla no centro de várias lesões pustulosas.

São encontradas no Brasil a Solenopsis invicta (formiga lava-pés vermelha) e a Solenopsis richteri (formiga lava-pés negra) que causa o quadro clássico do acidente.

O formigueiro destas formigas tem inúmeras aberturas e grama próxima preservada, podendo inclusive haver folhas de permeio à terra da colônia.

Cortes na pele podem ser produzidos pela mandíbulas potentes das saúvas.

Características do Veneno

No gênero Solenopsis o veneno é produzido por glândula conectada ao ferrão e é constituído por alcalóides oleosos (90%), dentre os quais a fração mais importante é a Solenopsin A, cujo efeito é citotóxico. Os outros 10% tem constituição proteica e podem causar reações alérgicas em indivíduos predisponentes.

Diapedese de neutrófilos ocorre no ponto da ferroada e é secundária à morte celular provocada pelo veneno.

Formigas da subfamília Dorylinae possuem veneno que causa reações alérgicas e aquelas da família Formicinae liberam ácido fórmico ao serem manipuladas, o qual tem cheiro forte e afugenta o agressor. Algumas vezes elas picam o indivíduo com suas mandíbulas e injetam o ácido por aí, provocando ardor e dor locais.

Quadro Clínico

Após a picada há a formação de pápula urticariforme no local acompanha por dor importante que com o passar das horas cede e pode tornar-se prurido. Aproximadamente vinte e quatro horas após o acidente a pápula evolui para pústula estéril, a qual é reabsorvida em sete a dez dias. Pode ocorrer infecções secundárias devido ao rompimento da pústula por coçadura.

Os acidentes múltiplos são relatados em incapacitados, crianças e alcoólatras.

Anafilaxia e reações respiratórias podem estar presentes.

Tratamento

Está indicado o uso de anti-histamínicos via oral e analgesia com paracetamol.

Em caso de acidente com Solenopsis sp ou Paraponera clavata (tocandira) pode-se usar compressas frias locais e aplicação de corticóide tópico.

Complicações alérgicas ou acidentes maciço podem ser tratados com predinisona , 30 mg, VO, diminuindo-se 5 mg a cada três dias, com a melhora das lesões.

Anafilaxia e reações respiratórias devem ser tratadas como no acidente por abelhas.

Para maiores informações, vide tratamento no acidente com abelhas.

Exames Laboratoriais

Não existem exames específicos.

Complicações

Pode ocorrer infecção secundária, abscessos, celulite, erisipela e processos alérgicos de diferentes intensidades, os quais podem levar ao óbito.

Prognóstico

Favorável se não ocorrer reação de hipersensibilidade sistêmica.

Acidentes com vespas

Generalidades

São incomuns os acidentes envolvendo picadas múltiplas destes insetos. Por outro lado, pacientes que sofrem única picada muitas vezes comparecem ao pronto-socorro devido à dor forte e edema local com frequência.

Indivíduos hipersensíveis podem desenvolver anafilaxia e óbito apenas com uma picada. Felizmente tal fato é raro e na maioria das vezes o acidente tem evolução benigna.

Identificação

Pertencem à superfamília Scolioidea e se dividem em várias famílias, sendo as mais importantes:

- Mutillidae: a espécie mais comum é a Ephuta temperalis (formiga chiadeira) que é coberta por cerdas coloridas, curtas e finas. Na maioria das vezes são negras manchadas de vermelho ou amarelo, formando algum desenho. As fêmeas são ápteras e os machos alados. Sua ferroada causa forte dor local e ocorre se são inadequadamente manipuladas.

Vespidae: possuem ferrão e peçonha que provoca edema e forte dor local, sendo que picadas múltiplas podem ser responsáveis por edema generalizado e grave dificuldade respiratória. Existem várias subfamílias, que apresentam características diferentes: a subfamília Polistinae possui insetos avermelhados ou marrons e alongados, cujo gênero mais comum é o Polistes, conhecido como marimbondo-caboclo. Os ninhos construídos são abertos. A subfamília Polybiinae possuí insetos negros, com ou sem manchas amarelas ou claras no abdome e tórax, e pequenos. O gênero mais comum é o Polybia, conhecido como marimbondo-chumbinho. O ninho é fechado com uma única entrada.

Existem também no Brasil o Synoeca cyanea (marimbondo-tatu) e o Pepsis fabricius (marimbondo-cavalo).

Características do Veneno

A composição é pouco conhecida e os principais alérgenos possuem reações cruzadas com o veneno das abelhas. Podem levar a reações de hipersensibilidade.

Para maiores informações, vide características do veneno nos acidentes com abelhas.

Quadro Clínico

Semelhante ao que ocorre no acidente com abelhas, porém menos intenso.

Para maiores informações vide quadro clínico do acidente com abelhas.

Tratamento

Semelhante ao que é indicado nos acidentes envolvendo abelhas.

Para maiores informações, vide tratamento do acidente com abelhas.

Exames Laboratoriais

Vide exames solicitados nos acidentes com abelhas.

Complicações

Vide complicações nos acidentes com abelhas.

Prognóstico

Favorável se não houver anafilaxia.

MODELO DE FICHAMENTO DE LEITURA

MODELO DE FICHAMENTO DE LEITURA

Caro aluno,

Tenho a satisfação de apresentar-lhes um modelo de fichamento que poderá ser adotado por vocês tanto na íntegra, quanto adaptado à suas necessidades, bem como servir de estímulo para que elaborem outro totalmente diferente, desde que se prove útil.

Primeiramente, vale destacar que muitos de nós professores continuamos a usar a palavra fichamento, apesar deste termo estar ligado ao mundo da era pré-informática. À época isto queria dizer fazer registro da leitura em pequenas fichas, que eram armazenadas em um fichário. As fichas se prestam a auxiliar o aluno a destacar questões centrais da leitura e participar das discussões em sala de aula, aspectos não compreendidos, termos identificados pela primeira vez etc. Apesar de nos encontrarmos na era da informática, a idéia essencial continua sendo a mesma, uma vez que é possível imprimir o fichamento elaborado no computador, com a vantagem de poder alterá-lo, o que, em tese, ajuda ainda mais o usuário.

Em segundo lugar, quero deixar claro que o fichamento é uma ferramenta didática que permite ao professor conhecer o cuidado do aluno em relação à leitura solicitada, mas ajuda muito mais ao próprio aluno (quando é bem elaborado), pois lhe assegura um método de aprendizado por intermédio da leitura. Portanto, espero que este recurso não seja encarado como obrigação imposta pelo professor para aferir o compromisso com leitura (embora também o seja em certa medida).

A elaboração de um bom fichamento, o qual não deve ser confundido com um resumo, permite ao estudante alcançar ao menos três (3) objetivos, a saber:

1) utilizá-lo em sala de aula na discussão do texto;
2) servir de estudo para melhor domínio do conteúdo, comparando-o a outros textos afins, e, ainda;
3) guardá-lo para uso futuro na forma de consulta, dispensando a necessidade de ter de refazer toda a leitura (levando em conta que muitas vezes não adquirimos a obra).

Para que o item 3 possa ser eficaz é preciso que o fichamento seja bem feito de maneira a despertar rapidamente suas lembranças. Você poderia pensar, mas por quê irei precisar disso no futuro? Talvez sua própria curiosidade intelectual possa levá-lo a necessitar deste recurso em um momento que esteja fazendo a leitura de outra obra que tenha, eventualmente, conteúdo similar. Pode, igualmente, servir de exemplo para trabalhos profissionais.

Assim sendo, passo a listar algumas exigências básicas para se fazer um bom fichamento:

1
Identificar a Fonte da Leitura (Livro, Tese não publicada, Artigo em revista etc);
1.1
Ano da Publicação (ou do documento, caso não tenha sido publicado);
1.2.
Nome da Editora (em caso de ter sido publicado);
1.2.1.
Número da Edição e/ou da impressão (nem sempre existe em publicações mais antigas);
1.2.2.
Número de páginas (do livro e/ou da parte lida).
1.3.
Título da Obra;
1.3.1.
Título da Obra no Original (em caso de obra estrangeira. Está na ficha catalográfica)
1.3.2
Título do Capítulo ou do trecho lido (caso tenha lido um trecho sem título ou sub-título, procure dar um a partir da frase empregada pelo autor no início de um parágrafo);
1.4.
Localização da obra (se obtida em biblioteca, da propriedade do próprio aluno etc);
1.5.
Nome do Autor (ou autores) e/ou do Organizador;
1.5.1.
Nome do Tradutor (no caso de ser uma obra escrita originalmente em outro idioma);
2.
Tema da Obra (Administração, Sociologia etc.);
2.1.
Palavras-chaves (caso haja na ficha catalográfica da obra valha-se delas, mas use também as que te pareçam mais indicadas);
2.2.
Idéia ou idéias principais do autor (registre as que lhe pareçam as mais importantes. Aqui já se exigirá do aluno um esforço de síntese ao tentar captar tais idéias);
2.2.1.
Objetivo (s) principal (is) do autor (nem sempre o autor explicita seu objetivo);
3.
Reprodução de trechos da leitura (dos que considerar os relevantes para a apreensão do conjunto da leitura. Importante ao final da reprodução identificar o item e a página de onde copiou);
3.1.
Conceitos utilizados acompanhados da explicação do autor;
3.2.
Nomes de outros autores ou livros citados no texto (trata-se da bibliografia comentada pelo autor ao longo de seu texto e sobre a qual ele faz referências);
4.
Glossário de palavras e conceitos (há semelhança com o item 3.1.,mas há ligeira diferença);
5.
Comentários do aluno sobre a leitura (fácil, difícil, o que aprendeu, o concluiu, etc.).
5.1.
Dúvidas da leitura que deseja esclarecer em aula (se mais de uma numerá-las).

Quanto a forma de elaboração do fichamento, penso ser apropriado que este seja feito com ao menos duas (2) colunas para melhor divisão e clareza, mas não mais do que quatro (4) a fim de não torná-lo detalhado demais. O modelo que apresento parcialmente abaixo dispõe de três (3).

Itens
Conteúdo
Observação do Aluno
1. Tipo de Obra
Livro

1.1 Ano da Publicação
1999

1.2. Editora
Paz e Terra

1.2.1. Edição
1ª Edição

1.2.2. Páginas
530 páginas

1.3. Título
O Poder da Identidade
Trata-se do volume II de uma mesma obra publicada em 3 livros.
1.3.1. Título original
The Power of Identity

1.3.2. Título do Capítulo.
Capítulo I – Paraísos Comunais: identidade e significado das Sociedades em Rede (pág. 21 a 92).
Li parte do capítulo, que foi solicitado pelo professor, mas que não apresentava subdivisão.
1.4. Localização
Biblioteca da Fundação Escola Sociologia e Política
Há três exemplares na biblioteca, mas o que obtive é o que se encontra em pior estado.
1.5. Autor
Manuel Castells

1.5.1. Tradutor
Klauss Brandini Gerhardt

2. Tema
Mudança Social, Sociologia

2.1. Palavras-chaves
Capitalismo; Cultura; Conflitos; Etnias; Identidade; Mudança Social; Poder; Povos.

(....)
(....)
(...)
5. Comentários
Considerei a obra difícil seja por se tratar de um tema que eu desconhecia, mas também pela quantidade de termos novos para mim. Entretanto, aprendi bastante depois de fazer uma segunda leitura e constato que o autor trata da profundidade da mudança social no mundo globalizado e o quanto isto impacta na cultura dos povos e na sua existência. Em minha opinião, Manuel Castells tem uma visão bem pessimista sobre este processo, embora admita que alguns processos bem interessantes também ocorram.

5.1.
Quero saber a opinião do professor sobre esta obra. Será que ele considera que o autor tem uma opinião muito negativa da mudança social sobre as sociedades?


Finalmente, tenho a expectativa de que a partir do modelo acima você se sinta estimulado a fazer o fichamento. Bem, mas antes do fichamento, o melhor mesmo é fazer uma leitura bem atenta. Boa sorte.
***



Blog de um estudante de letras da USP.

http://blog.cybershark.net/letras/5


Nessa aula a profa apresentou seu e-mail, para tirar dúvidas: zildaquino ARROBA terra.com.br, e a seguir fez uma discussão sobre fichamento, detalhando os tópicos dado no programa:
Orientações sobre fichamento:
1.Objetivos do fichamento
a) Recolher dados, informações que uma obra pode nos oferecer;
b) organizar materialmente essas informações de modo que o trabalho a ser elaborado se desenvolva melhor e de maneira mais rápida;
c) assegurar a retenção daquilo que se quer conservar – a memória interna é frágil – os apontamentos são como uma memória exterior.
2.Normas práticas para assegurar um fichamento eficiente
a) colocar a referência bibliográfica completa da obra no cabeçalho da ficha ou folha;
b) ter em vista os objetivos do trabalho, procurando anotar somente os dados sucetíveis de fornecer elementos sobre o problema formulado;
c) fazer uma leitura prévia de todo o texto para ter uma idéia geral do assunto tratado de modo a evitar redundâncias nas anotações;
d) sublinhar os pontos principais ou anotar o que mais interessa, registrando a página do livro em que se localiza tal afirmação. As citações textuais devem vir entre aspas. As idéias pessoais que surgirem durante a leitura podem ser colocadas no final da página, ou anotadas de modo diferente no computador.
e) para produzir um bom fichamento, é necessário saber distinguir o essencial do acessório. Evite acumular material excessivo, fazendo os apontamentos com reflexão e sobriedade. Sã mais importantes as idéias gerais que as particulares, os detalhes, ou os exemplos;
f) aconselha-se utilizar frases ou palavras próprias e o cuidado de reproduzir com fidelidade o significado do que o autor expressa.
3.Estrutura do fichamento
a) referência bibliográfica completa no cabeçalho (segundo a ABNT)
b) resumo do conteúdo geral do artigo, do capítulo ou do livro (abstract)
c) estudo das idéias mais importantes do texto, utilizando-se de palavras próprias e ilustrando com citações de trechos importantes do texto que podem ser registrados entre aspas, ou en itálico, ou com fonte menor e recuo das margens maior que o do parágrafo, devendo-se anotar, sempre e entre parênteses, as páginas em que se localizam.
Normas técnicas
As citações, bibliografia e mais devem seguir as normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). http://www.abnt.org.br. As normas para bibliografia em vigor são as definidas na NBR-6023/2000, que podem ser vistas em http://www.usp.br/ip/biblioteca/nbr_6023.htm.
A disciplina, porém, adota uma modificação destas normas: o ano de publicação deve ser colocado entre parênteses após o nome do autor, e não no final, após vírgula.
A profª enfatizou o ponto de que a citação de outro autor deve estar entre aspas se consistir de poucas linhas (até 3), seguida do nome no formato (Autor, Ano:página). Caso a citação seja de um parágrafo inteiro este deve estar separado do texto com um recuo à esquerda maior e fonte menor (geralmente 11). Também colocar o nome do autor no mesmo formato.
Indicou que serão pedidos 10 fichamentos para uma semana antes da prova, dos quais um será escolhido aleatoriamente para avaliação.
A nota será composta por:
Fichamento: 2 pontos
Prova: 4 pontos
Trabalho em grupo: 4 pontos
Foi pedido para a próxima aula o fichamento do texto já lido:
Leite, M. Q. (2002). O problema da variação. In: Língua portuguesa. PEC – Construindo sempre- USP/CENP/SEE/SP, p. 13-16.
Esse fichamento não terá nota, mas será corrigido para que o aluno tenha noção de onde melhorar e se está errando em algo.

Você gostou deste texto? Ele lhe foi de algum modo útil? Caso sim, por favor, considere uma doação para ajudar-nos a manter nosso servidor. Mesmo 1 dólar ajuda! Muito obrigado!

Karl Marx

Karl Marx
Para Marx, não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência. O ser social do homem está ligado a sua existência, aos modos de produção a que está submetido e são os modos pelos quais os homens produzem os bens materiais necessários à vida humana que são os geradores das grandes mudanças históricas.

Os homens sempre se organizaram para produzir bens. Os primitivos eram nômades, extraiam da natureza os meios para sua sobrevivência e quando a caça, os frutos, as raízes acabavam eles se transferiam para outra área. Enquanto o homem saia para caçar e colher a mulher permanecia em casa, foram elas que observaram que as plantas nasciam das sementes jogadas, era o início da agricultura e o fim da vida nômade. Mas para cultivar o solo e criar o gado o homem precisou tomar posse de um determinado território: era o fim do comunismo e o começo da propriedade privada. Mesmo sendo, nas sociedades primitivas, a propriedade dos meios de produção comum e não existindo ainda o dinheiro foi nesse período que começou a propriedade privada que junto com o desenvolvimento da agricultura propiciou o acúmulo do que era produzido por algumas famílias que detinham a propriedade, quem não tinha propriedade nem meios de produção trabalhava: era o começo da luta de classes e o fim da paz na terra.

Quando o esforço de produção já tinha condições de gerar excedentes surgiu a escravidão. Agora uma minoria detém os meios de produção e por conseqüência é dona da força de trabalho e do produto do trabalho. A condição natural do homem não é a escravidão, então logo surgem também as revoltas. Para proteger os proprietários das revoltas dos escravos surgiu o Estado.
Quando Igreja Católica e Estado se unem surgem os servos. A Igreja pregava a obediência dos servos aos senhores e o respeito à autoridade real que provinha de Deus. Os donos das terras detinham o poder econômico e político, faziam as leis, é o Estado cumprindo o seu papel: defender os detentores dos meios de produção. Aos servos que não eram escravos, restava trabalhar nas terras do senhor tendo alguns dias para trabalhar para si, não podendo abandonar o feudo em que nascera.
A partir do séc. XIV começa a se constituir o capitalismo. A situação do escravo que se tornou servo que agora é assalariado, segundo Marx, é melhor, mas longe do que se pode chamar de liberdade. O modo de produção capitalista tem por finalidade obter lucro e aumentar o capital. A riqueza do proprietário advém não da venda do produto mas da mais-valia que é a diferença entre o que o operário produz e o que lhe é pago por essa produção.

A distribuição de consumo desiguais devido aos homens ocuparem postos ou lugares no mundo do trabalho é responsável pelo aparecimento das classes sociais.
Para Marx, a base real?da igualdade e da liberdade é o processo do valor de troca. Toda mercadoria deve ser levada ao mercado para ser trocada. E para que essa mercadoria possa ser trocada é necessário uma relação entre proprietários que de livre e espontânea vontade (liberdade) e em condições de igualdade efetuem a troca. Essa relação é uma relação de compra e venda entre o proprietário do meio de produção e o trabalhador, proprietário da força de trabalho. A celebração de um contrato pressupõe capacidade jurídica, liberdade e igualdade. O assalariado tem uma ilusão de liberdade e igualdade quando assina o contrato de trabalho. Ele não tem a liberdade de vender ou não sua força de trabalho, ou vende por quanto o proprietário deseja pagar ou morre de fome. O contrato não lhe permite decidir sobre o que vai produzir e em que condições, não escolhe o horário, o ritmo de trabalho, não decido sobre salário, não projeta o que vai ser feito é comandado de fora, por forças estranhas a ele. Entrega, assim, a única coisa que lhe pertence: a força de trabalho; perde a posse de seu produto, perde-se a si mesmo, já não é mais a referência de si mesmo: é um alienado. Sua ?livre vontade? não passa de coação legalizada. A igualdade e liberdade que legalmente existe não passa de ilusão criada pelo capitalismo que manipulou e manipula as leis, a política e todo o sistema.



Durkein


Durkein foi um dos pensadores que mais contribuiu para a consolidação da Sociologia como ciência empírica e para sua instauração no meio acadêmico, tornando-se o primeiro professor universitário dessa disciplina. As referências necessárias para situar seu pensamento são, por um lado, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, e por outro, o manancial de idéias que vinham sendo formado por Saint-Simon e Comte.
Seus pressupostos constitutivos são a crença de que a humanidade avança no sentido de seu gradual aperfeiçoamento governada pela lei do progresso. Esse princípio foi herdado da filosofia humanista. O industrialismo impunha-se a todos como a marca decisiva da sociedade moderna. Difundia-se a concepção de que a vida coletiva era um ser distinto, mais complexo, e irredutível às partes que o formam.
Durkheim recebe também a influência da filosofia racionalista de Kant, do darwinismo, do organicismo alemão e do socialismo de cátedra. Durkheim via na ciência social uma expressão da consciência racional das sociedades modernas, mas não excluía o diálogo com a História, a Economia e a Psicologia, embora apontasse os limites de cada uma dessas disciplinas na explicação dos fatos sociais.



Max Weber





1)Nas seguintes afirmações de Weber percebemos de que modo a motivação para ação e algo sentido pelo sujeito sob a forma e valores e modelos de conduta. Analise-as segundo essa perspectiva.

A Ética da responsabilidade, e paixão pela suas atividades,, responsabilidade pelo atos e consciência de pensar
Buscando no fator econômico os elementos estrutural da cultura, social e religião, desenvolvendo o capitalismo..
Analisando foi uma organização voltada para valores e ações, buscando suas virtudes e vocações, formas de relação de trabalho a estruturas econômica.


2)Qual a diferença para Weber, entre ação e relação social?


A ação e um ponto chave do indivíduo, Ter objetivo determinado, uma atitude voltada para o interior e exterior .A ação social só atribui quando o indivíduo atribui sua conduta um significado ou um sentido próprio..
A ação pode ser tradicional faz parte do costume
A ação emotiva. são as emoções, não havendo a razão
Ação racional, pensar, planejar,
Relação social . e estabelecer um sentido compartilhado, ,
Relação social e algo mais profundo, buscando o convívio mais duradouro, e para que isto ocorra e importante saber o que o outro pensa, tem que haver concordância de idéias mesmo que haja advertências. Todos deve Ter o mesmo sentido nas ações.


3)Qual a importância da historia para Weber


Grande pesquisador da realidade histórica, social e política.
Seu objetivo e compreensão, interpretação, e explicação;
Intenções de implicações das orientações religiosas e conduta, e conduta econômica do homem, o desenvolvimento do capitalismo .Representou a sociologia jurídica.
Ele consiste na idéia que as ações são vivências humanas de sentido múltiplos
Fundador da sociedade alemã de sociologia. Defendeu ante a burocracia, liberdade a educação
Leis de desenvolvimento das sociedades, entre o meio urbano e o agrário.
Reivindicava a contra a autonomia
Democracia, feudalismo, capitalista



4)Como Weber concebe a objetividade cientifica?


Conceito histórico, um dos racionalização formação da modernidade ocidental. A tarefa do cientista era descobrir os possíveis sentidos da ação humana
O cientista devera estar atento o tempo todo, deixando seus preconceitos e subjetividade, ele mesmo faz parte daquilo que ele esta julgando, portanto trata-se de um compromisso ético de comportamento.
Leis da historia, forca efetiva dinâmica produto sociocultural.

5) De que maneira o protestantismo gera conduta adequadas ao capitalismo?


Estabelecer conexões entre a doutrina e a pregação protestante, seus efeitos no comportamento dos indivíduos e sobre o desenvolvimento capitalista
Com o surgimento do capitalismo, a reforma protestante foi um grande alicerce para a formação da sociedade capitalista e industrial, quando foi inserida a idéia que trabalhar e ganhar dinheiro não e pecado


6)Que diferenças Weber estabelece entre as atitudes e as visões de mundo de católicos e protestantes?

Os protestantes trabalham contentemente de forma consistente, para Ter um lugar no céu, os católicos invocam muitos rituais mágicos,, porque o mundo não foi feito para santo, e sim responsabilidade e paixão pela atividades.



QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2003Weber é o principal representante da Sociologia alemã e questionador dos modos positivistas de formulação de leis sociais, tema que rendeu acirrados debates à sua época. Defendia a idéia de que uma Ciência Social não poderia reduzir a realidade empírica à leis, pois tanto na escolha do tema a ser trabalhado quanto na explicação do acontecimento concreto, o cientista se vale de diversos fatores ligados à realidade dos fatos assim como a seus próprios valores, para dar sentido à realidade particular. Entretanto, se faz necessário o uso de uma metodologia de estudo, e o método proposto por weber baseia-se no estado de desenvolvimento dos conhecimentos, nas estruturas conceituais de que se dispõe e nas normas de pensamentos vigentes, o que irá permitir a obtenção de resultados válidos não apenas para si próprio.O sociólogo trabalha apenas com a realidade e busca características em comum na sociedade, sendo assim, a elaboração de um instrumento que auxilie na busca da compreensão dos comportamentos sociais, é fundamental. O tipo ideal é um modelo de interpretação-investigação, e é a partir dele que o cientista social irá analisar as sociedades e as formas de ação.Para Weber, a ação é toda conduta humana dotada de um significado subjetivo dado por quem a executa e ação social é toda conduta dotada de sentido para quem a efetua, a ação social deve ser praticada com intenção. A partir disso, Weber constrói quatro tipos ideais de ação social que podem se enquadrar na sociedade.A ação tradicional diz respeito aos hábitos e costumes enraizados, como por exemplo, comemorar
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QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2003Weber é o principal representante da Sociologia alemã e questionador dos modos positivistas de formulação de leis sociais, tema que rendeu acirrados debates à sua época. Defendia a idéia de que uma Ciência Social não poderia reduzir a realidade empírica à leis, pois tanto na escolha do tema a ser trabalhado quanto na explicação do acontecimento concreto, o cientista se vale de diversos fatores ligados à realidade dos fatos assim como a seus próprios valores, para dar sentido à realidade particular. Entretanto, se faz necessário o uso de uma metodologia de estudo, e o método proposto por weber baseia-se no estado de desenvolvimento dos conhecimentos, nas estruturas conceituais de que se dispõe e nas normas de pensamentos vigentes, o que irá permitir a obtenção de resultados válidos não apenas para si próprio.O sociólogo trabalha apenas com a realidade e busca características em comum na sociedade, sendo assim, a elaboração de um instrumento que auxilie na busca da compreensão dos comportamentos sociais, é fundamental. O tipo ideal é um modelo de interpretação-investigação, e é a partir dele que o cientista social irá analisar as sociedades e as formas de ação.Para Weber, a ação é toda conduta humana dotada de um significado subjetivo dado por quem a executa e ação social é toda conduta dotada de sentido para quem a efetua, a ação social deve ser praticada com intenção. A partir disso, Weber constrói quatro tipos ideais de ação social que podem se enquadrar na sociedade.A ação tradicional diz respeito aos hábitos e costumes enraizados, como por exemplo, comemorar
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QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2003Weber é o principal representante da Sociologia alemã e questionador dos modos positivistas de formulação de leis sociais, tema que rendeu acirrados debates à sua época. Defendia a idéia de que uma Ciência Social não poderia reduzir a realidade empírica à leis, pois tanto na escolha do tema a ser trabalhado quanto na explicação do acontecimento concreto, o cientista se vale de diversos fatores ligados à realidade dos fatos assim como a seus próprios valores, para dar sentido à realidade particular. Entretanto, se faz necessário o uso de uma metodologia de estudo, e o método proposto por weber baseia-se no estado de desenvolvimento dos conhecimentos, nas estruturas conceituais de que se dispõe e nas normas de pensamentos vigentes, o que irá permitir a obtenção de resultados válidos não apenas para si próprio.O sociólogo trabalha apenas com a realidade e busca características em comum na sociedade, sendo assim, a elaboração de um instrumento que auxilie na busca da compreensão dos comportamentos sociais, é fundamental. O tipo ideal é um modelo de interpretação-investigação, e é a partir dele que o cientista social irá analisar as sociedades e as formas de ação.Para Weber, a ação é toda conduta humana dotada de um significado subjetivo dado por quem a executa e ação social é toda conduta dotada de sentido para quem a efetua, a ação social deve ser praticada com intenção. A partir disso, Weber constrói quatro tipos ideais de ação social que podem se enquadrar na sociedade.A ação tradicional diz respeito aos hábitos e costumes enraizados, como por exemplo, comemorar o natal. A ação afetiva é inspirada em emoções imediatas, sem considerações de meios ou de fins a atingir, como torcer por um time, o indivíduo pratica a ação porque se sente bem. A ação racional em relação a valores é aquela em que o individuo considera apenas suas convicções pessoais e sua fidelidade a tais convicções, como ser honesto, ser casto. E a ação racional com relação a fins é praticada com um objetivo previamente definido, visando apenas o resultado.Weber define a Sociologia como a ciência que pretende entender, interpretando-a, a ação social, para explicá-la causalmente em seus desenvolvimentos e efeitos, ou seja, pretende explicar que tipo de mentalidade leva à realização das ações. Partindo do conceito de sociologia e das ações sociais podemos então compreender o que seja relação social, definida por Weber como uma conduta plural, reciprocamente orientada, dotada de conteúdos significativos que descansam na probabilidade de que se agirá socialmente de um certo modo, porém o caráter recíproco da relação social não obriga os agentes envolvidos a atuarem da mesma forma, entendemos que na relação social todos os envolvidos compreendem o sentido das ações, todos sabem do que se trata ainda que não haja correspondência. Quanto mais racionais forem as relações sociais maior será a probabilidade de que se tornem normas de conduta.




QUESTÕES DE SOCIOLOGIACaracterize a Sociologia enquanto ciência, salientando sua origem e objetivos.A Sociologia como ciência, surge no século XIX, no momento de desagregação da sociedade feudal e consolidação do capitalismo, para resolver questões sociais, foca o coletivo, analisa o homem no meio social. Objetiva o progresso e busca pelo estágio positivo.Qual a relação entre o Humanismo e o Ceticismo do século XIX com a Sociologia?Humanismo x Ceticismo século XIX -O Humanismo é uma doutrina antropocêntrica, ou seja, centrada nos valores humanos, de caráter individualista, independente de comprovações cientificas para este fato. Porém, no século XIX, ocorreu a consolidação da Ciência. Até o Renascimento, as explicações aceitas de qualquer fato eram dadas pela Igreja. O ceticismo é adotado como postura filosófica, usada para avaliações gerais com base em método cientifico. Então, aplica-se o conhecimento empírico, com a idéia de que, tudo que foge a experimentação e comprovação não existe. Qual a importância de August Comte para a Sociologia?A maior importância de August Comte foi adoção do método científico como base para a organização política da sociedade industrial moderna. Segundo ele, toda e qualquer sociedade evoluía de um estágio Teológico, onde havia o predomínio de entidades divinas, seguindo para o estágio da Metafísica, que é o momento de questionamento até chegar à meta universal do Positivo, tendo a Europa como meta de civilização e modernidade. Também desenvolveu um esquema sociológico positivista e lançou a idéia de que toda vida humana teria atravessado as mesmas fases histórica.Defina a Religião da Humanidade desenvolvida por Comte.A Religião da
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QUESTÕES DE SOCIOLOGIA
1.Caracterize a Sociologia enquanto ciência, salientando sua origem e objetivos.

A Sociologia como ciência, surge no século XIX, no momento de desagregação da sociedade feudal e consolidação do capitalismo, para resolver questões sociais, foca o coletivo, analisa o homem no meio social. Objetiva o progresso e busca pelo estágio positivo.

2.Qual a relação entre o Humanismo e o Ceticismo do século XIX com a Sociologia?

Humanismo x Ceticismo século XIX -O Humanismo é uma doutrina antropocêntrica, ou seja, centrada nos valores humanos, de caráter individualista, independente de comprovações cientificas para este fato. Porém, no século XIX, ocorreu a consolidação da Ciência. Até o Renascimento, as explicações aceitas de qualquer fato eram dadas pela Igreja. O ceticismo é adotado como postura filosófica, usada para avaliações gerais com base em método cientifico. Então, aplica-se o conhecimento empírico, com a idéia de que, tudo que foge a experimentação e comprovação não existe.
3.Qual a importância de August Comte para a Sociologia?

A maior importância de August Comte foi adoção do método científico como base para a organização política da sociedade industrial moderna. Segundo ele, toda e qualquer sociedade evoluía de um estágio Teológico, onde havia o predomínio de entidades divinas, seguindo para o estágio da Metafísica, que é o momento de questionamento até chegar à meta universal do Positivo, tendo a Europa como meta de civilização e modernidade. Também desenvolveu um esquema sociológico positivista e lançou a idéia de que toda vida humana teria atravessado as mesmas fases histórica.

4.Defina a Religião da Humanidade desenvolvida por Comte.

A Religião da Humanidade desenvolvida por August Comte era um sistema em que buscava estabelecer uma completa espiritualidade humana sem elementos sobrenaturais. Seu dogma baseia -se na ciência. Nela, a substituição de Deus por uma humanidade racional e evoluída.

Caracterize:
a) Positivismo -
Corrente filosófica que busca a interpretação para fatos, inclui e evoca a razão. É empirista. As avaliações cientificas devem estar rigorosamente embasada em experiências.
b) Evolucionismo -
Homem é resultado final de uma longa evolução. Parte do pressuposto de quanto mais evoluído é, melhor.
c )Mecanicismo -
É modo como funciona o organismo humano, visto como uma máquina que pensa.
d Liberalismo -
Teoria econômica do fim do Iluminismo que se opõe ao intervencionismo do estado na produção e distribuição de riquezas.
e Organicismo -
Idéia de que tudo funciona como um sistema. Se um segmento social não funciona bem, os outros sistemas não vão conseguir trabalhar em harmonia.
f Cientificismo -
Dita como grande solução da humanidade, nela a ciência é a única detentora da verdade. O que não fosse experimentado, não poderia ser mencionado.
g Eurocentrismo -Europa como modelo de civilização e modernidade, exemplo a ser seguido, tornou-se meta universal.
h Darwinismo -
Teoria da evolução que se baseia na seleção natural.
I -Darwinismo Social -
Teoria social baseada na teoria da evolução em que apenas os organismos mais aptos sobrevivem.

Quem foi E. Durkheim e quais suas contribuições para a Sociologia?
Durkheim foi fundador da Sociologia Moderna e destacou -se por contribuir com suas reflexões pelo estudo sobre suicídio; afirmação de que o homem tem consciência distinta, tanto coletiva quanto social; sua concepção de que a sociedade é estruturada pela divisão do trabalho social; a tese de que nem todo fato dito social é fato social, porque há fatos normal e patológico.
Segundo E. Durkheim defina:
a -Fato social
-Maneiras de agir, de pensar e de sentir, fixa ou não, exteriores ao individuo dotadas de um poder. É uma norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo, que direcionam a vida do mesmo. Não são simples casos isolados. Depende de proporções estatísticas, portanto envolve a coletividade.
b Sociedade -É mais que a soma dos indivíduos que dela fazem parte, segundo Durkheim, a sociedade é um conjunto de normas de ação, pensamento e sentimento que não existem apenas na consciência individual.
c Coisa -É o objeto de estudo. Fatos sociais são considerados desta forma e devem ser vistos com imparcialidade pelo sujeito que o estuda. Não se deve envolver, emitindo opiniões particulares.
d -Método sociológico -Considerar os fatos sociais como coisa ,ou seja, analisar os fatos com imparcialidade, importância atribuída a educaçãoe -Representações coletivas -Atitudes comuns de uma coletividade em determinada época.
f -Tipos de solidariedade -Solidariedade Mecânica, presente em sociedades primitivas, onde a consciência coletiva é compartilhada pela maioria dos membros que dela fazem parte e na Solidariedade Orgânica, presente em sociedades mais complexas, típica de sociedades capitalistas, caracterizada pela divisão do trabalho social.
g -Consciência coletiva -Imposta pela sociedade, estabelece regras de conduta.h Moral -É o que norteia para o certo e para o errado.
i -Coerção social -Ato de induzir, pressionar ou copelir alguém a fazer algo à força ou por intimidação ou por ameaça. Violência simbólica.
j -Socialização metódica -Constitui a educação, modelar o indivíduo para que possa se adequar a sociedade.

Segundo E. Durkheim:
a -Apresente a relação entre consciência coletiva e consciência individual Consciência Coletiva x Consciência Individual
Consciência coletiva estabelece normas (certo e errado), limites, direitos e deveres, enquanto a consciência individual detém ao indivíduo o livre-arbítrio.

b-Apresente a distinção entre maneiras de agir e maneiras de serManeira de agir x Maneira de ser As regras morais devem ser seguidas pelos indivíduos, sua maneira de ser e de agir e podem ser coagidos pelo fato social, a reações inversas exercidas pela falta de moral ou por questões comportamentais.c -Descreva o papel do sociólogo -Compreender a sociedade a fim de manter a ordem vigente.
d-Objetivo da instrução pública. O indivíduo construa sua consciência social, abstraindo-se do egoísmo e do materialismo.
e -Descreva como se analisa o suicídio -Os indivíduos que não mantém o elo de união, comunicação e afetividade em harmonia têm probabilidade de cometerem suicídio.
f -Diferencie a moralidade e a anomia Moralidade
É uma qualidade das ações humanas, que segue regras sociais, princípios e valores.Anomia Falta de coesão e ordem, ausência de normas que regulam o comportamento do indivíduo. É um modo de afirmar que a sociedade encontrava-se socialmente doente.
g -Demonstre a importância da moral individualista e da religião para a sociedade.
Importância da moral individualista e da religião para a sociedade A importância da moral individualista está na especialização de funções produtivas na divisão social do trabalho e a importância da religião se dá, pela inter-relação entre a cerimônia e idéia de festa, ocorre aproximação dos indivíduos, união e coletividade.
h -Apresente o enfoque de Durkheim sobre a religião.Religião
Como uma criação coletiva e não social. Em sociedades mais simples a religião é uma forma de organização social.
9 .Quem foi Max Weber e qual a sua definição para a Sociologia?
Max Weber foi fundador do estudo moderno da Sociologia, estudava a sociedade com especificidade, analisando sua formação histórica, como a mesma se solidifica, ou seja, buscava compreender a sociedade dentro de sua própria história. Quanto a sua definição de sociologia, é uma ciência que busca compreender a ação social, entender o indivíduo para posteriormente compreender a sociedade.
10.Explique a relação Weber X Durkheim referente ao individuo e a sociedade.Weber -Parte do indivíduo para entender o coletivo. Da conduta para a ação social.Durkheim Do coletivo para o indivíduo.
11. Segundo a teoria de Max Weber, conceitue:
a Poder: Capacidade de impor a sua vontade, sendo que o poder não está na pessoa, está na sua relação social.
b Dominação: Ceder à vontade, probabilidade de encontrar obediência a uma ordem.c Legitimidade: Reconhecimento do poder através da obediência.
d Carisma: Qualidade pessoal que exerce poder sobre o outro.12. Diferencie os tipos puros de dominação legítima.Dominação Legal Dominação através de lei, estatuto. Exercida através de lei, caso não a obedeça, há punição.Dominação Tradicional -Reconhecimento de posturas sociais diferenciadas, tradicionalista, como por exemplo, a obediência de filho para pai.Dominação carismática Ceder à vontade do outro em virtude de relacionamento social. Exemplo, relação de amizade, entre cônjuges ou namorados.13. Explique o quadro a seguir: O quadro explicita a idéia de Marx Weber:Quanto mais carismática a relação, mais intensa ela é.Quanto mais vulnerável a relação, menos tem probabilidade de durar.Quanto mais burocrático, menos intenso é, porém mais durável.14. Quem foi Karl Marx? E qual a sua contribuição para a sociologia?Karl Marx foi um filósofo alemão que desenvolveu a teoria materialista dialético, propôs ampla transformação política, econômica e social. Ele criticava o capitalismo e liberalismo, pois estes geram livre consumo, consequentemente livre concorrência, que gera consumo desenfreado e resulta em alienação. Foi o idealizador de uma sociedade com distribuição de renda justa e equilibrada. 15. Conceitue a dialética diferenciando a dialética hegeliana da dialética marxista.Dialética Hegeliana é idealista e onde tudo se desenvolve fundindo afirmação e negação do que se propõe, e é um método de três etapas: Tese +Antítese =Síntese, que quer dizer que parte de uma afirmação, exemplo ser ,como conceito generalizado (tese) que em seguida é negada ser sem propósito é o mesmo que não ser (antítese) e por fim, essa contradição somada a afirmação, adquire o conceito de vir a ser ou tornar-se, (síntese). Dialética Marxista é um método de análise da realidade, não é apenas pensamento. É a realidade que transformamos em ação, nega a existência da alma, de outra vida e de Deus e a existência de um mundo ideal, existe apenas o aqui e o agora.16. Caracterize o Socialismo proposto por Marx, diferenciando-o do Socialismo Utópico.O Socialismo de Marx trazia a proposta de transformação política, econômica e social, é um modo de organização que visava queda da burguesia e ascensão da classe trabalhadora, enquanto o Socialismo Utópico acreditava no surgimento de uma sociedade ideal sem a revolução proletária, de modo pacífico e iniciada por elites.17. Conceitue segundo a teoria marxista:a Materialismo -é a corrente filosófica do ser e pensar. A matéria é um dado primário e a consciência é o reflexo da relação do indivíduo com o mundo.b -Materialismo histórico -é a busca pela compreensão da história das sociedades humanasc -Base / superestrutura Base é o conjunto das relações de produção que correspondem a um período determinado do desenvolvimento das forças produtivas. Superestrutura é constituída pelas instituições jurídicas e políticas e por determinadas forças de consciência social.d -Luta de classes -força motriz do desenvolvimento de todas as formações econômicas em classes divergentes.e -Mais-valia -é a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago pelo trabalhador. É o valor a mais que o indivíduo trabalha e não recebe por ele.18. Segundo David Lyon (1996:18), após a industrialização as pessoas passaram a experimentar novos níveis de relacionamentos. Como Durkheim, Weber e Marx analisariam este posicionamento?Durkheim Individualização. Weber Relações impessoais e sistematizadas.Marx Relações mercantis, pois transformou os relacionamentos em simples troca.19. Explique segundo cada teoria: Por intermédio da instrução pública, consegue-se que o indivíduo, construindo sua consciência comum, social, supere a si mesmo, libertando-se de visões puramente egoístas e interesses materiais imediatistas .(ÉMILE DURKHEIM)Isso significa a implementação de uma consciência coletiva, onde ele visa não apenas seus interesses individuais, mas visa o todo. O suicídio do indivíduo tem a sua causa básica no âmbito da sociedade, ou seja, origina-se no meio que o rodeia .(ÉMILE DURKHEIM)A causa não está no individuo em si, e sim no coletivo. Pois algo da vida coletiva afetou diretamente a vida social, e quando as proporções são drásticas, alguns indivíduos não suportam. Pelo fato de considerar a coletividade, diz que a causa real para o suicídio está no social. A educação é a ação exercida pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política no conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente se destina (Durkheim apud Canela, 2001:64).A visão de Durkheim quanto à educação, tendo a escola como instituição modeladora que adequa o indivíduo às normas de conduta social e os orienta sobre moralidade, evitando assim que o mesmo venha a subverter a ordem. A [dominação] carismática derruba o passado (dentro de seu âmbito) e, neste sentido é especificamente revolucionária. Esta não conhece a apropriação do poder senhorial ao modo de uma propriedade de bens, seja pelo senhor seja por poderes estamentais. Só é legítima enquanto e na medida em que vale isto é, encontra reconhecimento, o carisma pessoal, em virtude de provas; e os homens de confiança, discípulos ou sequazes só lhe são úteis enquanto tem vigência sua confirmação carismática (WEBER: 1991, p.160).A dominação carismática, é ceder à vontade do outro com intuito de não entristecê-lo, é uma forma de reconhecer a importância do outro e difere de obediência. Também difere de dominação legal, imposta por lei, que caso não seja obedecida o indivíduo está sujeito a punição. No que se refere em obediência a um líder, o indivíduo atribui-lhe poderes por seu carisma, a exemplo de políticos, escolhidos pela conquista da confiança dos indivíduos que os elegem. A dialética não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo .(K. MARX)A dialética significa dois elementos contrários, essa contradição é um benefício. A dialética Hegeliana e a dialética do Materialismo crêem que realidade e pensamento são sinônimos e que, as leis do pensamento são as leis da realidade."A existência precede a essência (K. MARX)Essa é a idéia central do Existencialismo. Marx critica o modo de como se busca compreender o que é o homem. A essência do homem é algo que ele mesmo constrói, é sua história, pois o homem é produto do meio em que vive. Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado .(K. MARX)É necessário que o homem se adeque às regras sociais para que possa viver em harmonia, sem coerção. Pois já a preceitos determinados para que haja organização social, visando a coletividade. Porque sem coesão é anarquia, e não sociedade. Portanto, a falta de autonomia para agir de acordo com sua vontade é justificável, pois é preciso que haja princípios em vigor, são eles: Coesão, Organização, Normatização e Unidade.20. É possível se afirmar que todas as categorias sociológicas são inevitavelmente carregadas de valores ?Porquê?Sim, porque apesar de serem representadas por minorias, fazem parte do contexto social e também tem sua importância. Pois qualquer categoria sociológica, apenas pelo fato de existir ela pode afetar de modo direto ou indireto na coletividade.21. A Sociologia se desenvolveu como uma resposta à desinstalação da vida social no século XIX. Mas por que razão ela assumiu as formas especificas que nós vivemos hoje e como ela alcançou um status tão importante?A Sociologia surgiu como resposta a um desafio da modernidade, num momento de mudanças com o surgimento do capitalismo, sua existência tem sido de grande valia para a sociedade atual. A sociedade atual tem características predominantemente consumista devido ao capitalismo, que é o expresso incentivo ao consumo. Através da Sociologia pode-se avaliar, conhecer e compreender idéias, atitudes e enfoques distintos, e desse modo compreender tudo o que nos afeta e suas significâncias no todo.Indicações de leitura: BATISTA FILHO, João. Introdução à Sociologia. Universidade Norte do Paraná, 1999. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=costa, maria cristina castilho" COSTA, Maria Cristina Castilho. Sociologia :introdução a ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=demo, pedro" DEMO, Pedro .Sociologia: uma introdução critica. São Paulo: Atlas, 1985. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=durkheim, emile" DURKHEIM, Emile .As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1999. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. Emile Durkheim. Sociologia. São Paulo: Ática, 1999.FERREIRA, Delson. Manual de sociologia. Dos clássicos à sociedade de informação. São Paulo: Atlas, 2003. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=freund, julien" FREUND, Julien .Sociologia de Max Weber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=gemkow, heinrich" GEMKOW, Heinrich .Marx & Engels vida e obra. São Paulo: Alfa-Omega ,1984.LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. São Paulo: Atlas. 1998. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=lowy, michael" Lowy, Michael .As aventuras de Karl Marx contra o barão de Mnnchhausen. marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. São Paulo: Cortez ,1998. pr&db=fan db&use=pn&disp=list&sort=on&ss=NEW&arg=martins, carlos b" MARTINS, Carlos B. O que e sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1994.OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática. 1997.QUITANEIRO, T. BARBOSA, Maria. OLIVEIRA, M. Um toque de Clássicos. Belo Horizonte: UFMG, 1995.TOMAZI, Nelson Dacio (coord). Iniciação à sociologia. São Paulo: Atual ,2000. pr&db=fan

shigelose

1. DEFINIÇÃO

A shigelose é uma infecção bacteriana aguda paleomórfica causada pelo gênero Shigella que resulta em colite, afetando principalmente o sigmóide e o reto. “Disenteria bacilar” é sinônimo de shigelose. A doença, caracterizada por diarréia, disenteria, febre, dor abdominal e tenesmo, geralmente se limita a alguns dias. O tratamento imediato com drogas antimicrobianas acelera o processo de recuperação do paciente. Pode existir as formas assintomáticas ou sub-clínicas, ou formas graves e tóxicas. O reservatório do agente é no trato gastrointestinal do homem, na água e alimentos contaminados.


2. ETILOGIA

A Shigella é um bacilo gram-negativo imóvel que pertence a família Enterobactéria. Quatro espécies de Shigella são reconhecidas com base em propriedades antigênicas e bioquímicas:
Shigella dysenteriae (grupo A);
Shigella. flexneri (grupo B);
Shigella. boydii (grupo C);
Shigella sonnei (grupo D)

Entre essas espécies existem animais de 40 sorotipos, designado pelo nome da espécie, seguido de um número arábico. A S. dysenteriae 1 é chamada de “bacilo de Shiga”, provocando epidemias com índice de mortalidade mais alto do que o de outros sorotipos e pode causar pandemias catastróficas. Com exceção da S. flexneri 6, elas não fermentam lactose.
Os sorotipos são determinados pela cadeia lateral polissacarídica O do lipopolissacarídeo (endotoxina) na parede celular. A endotoxina é detectável no sangue de pacientes gravemente doentes e pode ser responsável pela complicação da síndrome hemolítico-urêmica. Para ser virulenta, a Shigella precisa invadir as células epiteliais, como foi testado em laboratório pela ceratoconjuntivite em porquinhos-da-índia (teste Sereny) ou pela invasão celular HeLa. A invasão bacteriana das células é determinada geneticamente por três regiões cromossômicas e um plasmídio 140-Md. A toxina de Shiga é produzida pela S.dysenteriae 1 e em quantidade menores por outros sorotipos. Ela inibe a síntese protéica e possui atividade enterotóxica em modelos animais, mas seu papel na doença no homem é incerto. Muitas outras toxinas foram descritas para diferentes espécies de Shigella (por exemplo, ShET1 e ShET2, enterotoxinas responsáveis por diarréia aquosa em algumas infecções por Shigella).

3. INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA

Nos Estado Unidos, houve mais de 14.000 casos relatados em 1996, com a seguinte distribuição das espécies: 73% S. sonnei, 19% S.flexneri, 2% S. boydii e 1% S. dysenteriae. Além disso, a incidência de shigelose vem aumentando. Por exemplo, ela cresceu de 5,4 para mais de 10 casos por 100.000 nos Estados Unidos de 1960 a 1988. A maior parte dos casos ocorreu em crianças pequenas, mulheres em idade fértil e minorias de baixa renda; e uma grande proporção ocorreu em grupos de pessoas internadas em casas para doentes mentais ou em creches.
No âmbito mundial, a maioria dos casos de shigelose ocorre em crianças de países em desenvolvimento, onde a S. flexneri é a espécie predominante. Em 1994, uma epidemia em refugiados ruandeses provocou cerca de 30000 mortes. O Institute of Medicine calcula que 250 milhões de casos de shigelose ocorram anualmente, com 650.000 mortes em todo mundo.

4. EPIDEMIOLOGIA

A espécie S.sonnei constitui a causa mais comum de shigelose no mundo industrial, enquanto a S.flexneri é a mais comum nos países subdesenvolvidos. A shigelose é transmitida pela via oral-fecal. Grandes aglomerações populacionais, baixos padrões de higiene pessoal, abastecimento de água precário e sistema de esgoto inadequado aumentam o risco de infecção. A transmissão, na maior parte das vezes, dá-se no contato interpessoal próximo, através de mãos contaminadas. Durante a doença clínica e por até seis semanas após a recuperação, bactérias são excretadas nas fezes. Apesar de os organismos serem sensíveis ao ressecamento, eles eventualmente são veículos de transmissão. Hospitais-dia, quartéis militares e abrigos para moradores de rua são locais de alto risco para a shigelose.
Crianças de 1 a 4 anos de idade apresentam maiores risco de desenvolver a doença. Habitantes de instituições de custódia, como casa para crianças com deficiência mental, são os que correm mais risco. A disseminação intrafamiliar normalmente ocorre quando o caso inicial dá-se em uma criança em idade pré-escolar. Em adultos jovens, a incidência é mais alta em mulheres do que em homens, o que provavelmente reflete o contato mais próximo da mulher com a criança. A população de homossexuais do sexo masculino nos Estados Unidos constitui um grupo de alto risco para a shigelose, correspondendo a uma das causa da “síndrome intestinal gay”.
Humanos e primatas mais elevados são os únicos reservatórios naturais da shigelose conhecidos. A transmissão apresenta padrões sazonais variáveis em regiões diferentes. Nos Estado Unidos, o pico de incidência acontece no final do verão e começo do outono.

5. PATOGÊNESE E PATOLOGIA

Como os microrganismos são relativamente resistentes ao ácido, a Shigella passa a barreira gástrica de forma mais imediata do que outros patógenos entéricos. Em estudos com voluntários, a ingestão de poucos bacilos, como de 10 a 200, regularmente inicia a doença em 25% dos adultos saudáveis. Estes números contrastam acentuadamente com a quantidade muito maior de bacilos tifóide e da cólera necessária para produzir a doença em indivíduos normais. Durante o período de incubação (normalmente de 12 a 72 horas), as bactérias atravessam o intestino delgado, penetram as células epiteliais do cólon e se multiplicam intracelularmente, geralmente atravessando a superfície basolateral das células epiteliais do intestino. Segue uma resposta inflamatória aguda na mucosa do cólon, acompanhada por sintomas prodrômicos. Células epiteliais contendo bactérias são lisadas, resultando em ulcerações superficiais e excreção de Shigella nas fezes. A morte da célula resulta do bloqueio da respiração celular. A mucosa é friável e coberta por uma camada de leucócitos polimorfonucleares. Amostras de biópsia apresentam úlceras e abscessos de cripta. Inicialmente, a inflamação fica confinada ao reto e ao sigmóide, mas, decorrendo cerca de 4 dias, a doença pode avançar e atingir o cólon proximal e, eventualmente, até o íleo terminal; um tipo de colite pseudomembranosa pode se desenvolver. Os níveis de citocinas pró-inflamatórias são elevados nas fezes e no plasma e refletem a gravidade da doença. O prejuízo à absorção de água e eletrólitos pelo cólon inflamado resulta em diarréia.
Apesar da doença nos cólons ser superficial, ocasionalmente ocorre bacteremia, especialmente em infecções da S.dysenteriae 1. A suscetibilidade dos microorganismos à bacteriólise sérica mediada pelo sistema complemento pode explicar a baixa freqüência de bacteremia e de infecção disseminada. A perfuração do cólon é uma complicação rara durante o megacólon tóxico. Crianças com colite grave provocada pela S.dysenteriae 1 tendem a desenvolver a síndrome hemolítico-urêmica. Nesta complicação, trombos de fibrina que são depositados nos glomérulos renais, provocando necrose cortical e fragmentação das hemácias.

EVOLUÇÃO DAS SÍNDROMES CLÍNICAS NA SHIGELOSE


Estágio
Tempo de aparecimento a partir do início da doença
Sintomas e sinais
Patologia
Pódromo
Primeiros
Febre, calafrios, mialgias, anorexia, náuseas e vômitos
Nenhuma ou colite precoce
Diarréia inespecífica
0 - 3 dias
Cólicas, fezes pastosas, diarréia aquosa
Colite do reto e sigmóide com ulceração superficial, leucócitos fecais
Disenteria
1 – 8 dias
Evacuação freqüente de sangue e muco, tenesmo, prolapso retal, dor à palpação abdominal
Colite estendendo-se eventualmente até o cólon proximal, abscessos de cripta, inflamação na lâmina própria
Complicações
3 – 10 dias
Desidratação, convulsões, septicemia, reação leucemóide, síndrome hemolítico-urêmica, obstrução intestinal, peritonite
Colite grava, ileíte terminal, endotoxemia, coagulação intravascular, megacólon tóxico, perfuração colônica
Síndromes pós-disentéricas
1 -3 semanas
Artrite, síndrome de Reiter
Inflamação reativa no haplótipo HLA-B27
Tabela 5.1



Figuara5.1: Patogênese da Shigella





6. MANIFESTAÇÔES CLÍNICAS

A maior parte dos pacientes com shigelose abre o quadro com pódromos inespecíficos. A temperatura varia e crianças podem ter convulsões febris. Os sintomas intestinais iniciais logo aparecem como cólica, fezes pastosas e diarréia aquosa, que geralmente precedem o surgimento de disenteria em um ou mais dias. A eliminação fecal média é de cerca de 600g/dia em adultos. A disenteria é constituída por restos alimentares, pequenos coágulos de sangue vermelho-vivo e muco nas fezes, que são pouco volumosas. A freqüência de evacuações chega a ser de 20 a 40 vezes por dia, com dor retal lancinante tenesmo durante a defecação. Alguns pacientes desenvolvem prolapso retal durante grandes esforços. A quantidade de sangue nas fezes varia bastante, mas normalmente é pequena em função de as ulcerações colônicas serem superficiais. Muitas vezes, há forte dor à palpação do abdome, na fossa ilíaca esquerda, acima do cólon sigmóide; a dor pode também se generalizar. A febre normalmente diminui depois de alguns dias de disenteria, de modo que a diarréia sanguinolenta afebril pode apresentar-se como um quadro clínico possível. Depois de 1 a 2 semanas de doença não tratada, ocorre melhora espontânea na maioria dos pacientes. Alguns pacientes com doença branda desenvolvem somente diarréia aquosa sem disenteria.
Entre as possíveis complicações está a desidratação, que pode ser fatal, especialmente em crianças e idosos. A septicemia por Shigella acontece principalmente em crianças desnutridas com infecção por S. dysenteriae 1. Há relatos raros de meningite, artrite e osteomielite devido a esse microrganismo. Eventualmente desenvolve-se uma reação leucemóide ou uma síndrome hemolítico-urêmica em crianças, após o início do tratamento antibiótico e quando a disenteria já apresenta melhora. As manifestações neurológicas podem ser notáveis e incluir delírio, convulsões (em um relato recente, 10% das crianças hospitalizadas apresentavam essa manifestação), e rigidez de nuca.
As síndromes pós-disentéricas mais importantes são a artrite e a tríade de Reiter com artrite, uretrite e conjuntivite. Esses são fenômenos não-supurativos que ocorrem na ausência de organismos viáveis de Shigella de 1 a 3 semanas da solução da disenteria.

7. DIAGNÓSTICO

Deve-se pensar em shigelose em todo paciente com início agudo de febre e diarréia. O exame das fezes é essencial. O sangue e o pus são macroscopicamente visíveis na disenteria bacilar grave; mesmo nas formas mais leves da doença, o exame microscópico das fezes revela, com freqüência, numerosos leucócitos e eritrócitos. O exame fecal dos leucócitos deve ser efetuado com uma porção de fezes líquidas, contendo de preferência muco. Coloca-se uma gota de fezes sobre uma lâmina de microscópio, sendo essa gota misturada minuciosamente com duas gotas de azul de metileno e recoberta com lamínula. A presença de numerosos leucócitos PMN ajuda a distinguir a shigelose das síndromes diarréicas causadas por vírus e bactérias enterotoxigênicas. O exame fecal dos leucócitos não é útil para diferenciar shigelose das doenças diarréicas causadas por outros patógenos entéricos invasivos. A disenteria amebiana é excluída pela ausência de trofozoítas no exame microscópico das fezes frescas sob lamínula. Portanto o diagnóstico diferencial deve ser feito com gastroenterites virais e salmonelose. A retossigmoidoscopia revela eritema difuso com uma camada mucopurulenta e áreas friáveis de mucosa com úlceras superficiais de 3 a 7 mm de diâmetro.
O diagnóstico definitivo depende do isolamento das shigelas em meios de cultura seletivos. Um swab retal, um swab de úlcera colônica obtido por exame retossigmoidoscópico ou uma amostra de fezes recém-eliminadas devem ser inoculados imediatamente em placas de cultura ou no meio de transporte. Como as taxas de isolamento das shigelas a partir de fezes recém-eliminadas dos pacientes com shigelose podem ser baixas (apenas 67%), recomenda-se a coleta de material para cultura durante três dias sucessivos.Os meios de cultura apropriados são o sangue, desoxicolato e ágar Salmonela-Shigella. As colônias selecionadas devem ser diagnosticadas por aglutinação com anti-soro polivalentes para a Shigella.
O diagnóstico bacteriológico definitivo torna-se fundamental para distinguir os casos mais graves e prolongados da shigelose da colite ulcerativa, com a qual podem ser confundidos tanto clinicamente quanto na retossigmoidoscopia. Os pacientes com shigelose são submetidos à colectomia devido a um diagnóstico incorreto de colite ulcerativa. A obtenção de uma cultura positiva deve evitar esse infortúnio.

8. TRATAMENTO

Quando a terapia antimicrobiana apropriada é administrada precocemente, diminui a duração dos sintomas em 50%, bem como a eliminação, excreção das Shigellas. Devido à grande resistência antimicrobiana mediada pelos plasmídeos em infecções causadas pela Shigella, a vigilância quanto à suscetibilidade aos fármacos numa determinada área endêmica é importante. Para adultos, quando se desconhece a suscetibilidade da cepa: Ciprofloxacina 500mg V.O. 2x/dia durante cinco dias, ou 1 g em dose única constitui o tratamento indicado quando a suscetibilidade da cepa é desconhecida.
Para crianças: TMP-SMX, ampicilina ou azitromicina, de acordo com a suscetibilidade do patógeno numa determinada localização.
As perdas de líquido devido à diarréia devem ser tratados com hidratação e reposição de eletrólitos por via IV ou oral com volume adequado.
Não se deve prescrever agentes que diminuam a motilidade intestinal. Difenoxilato e elixir paregórico podem exacerbar os sintomas por retardar a eliminação intestinal do microorganismo.
Não há evidências convincentes de que as preparações com pectina ou bismuto sejam úteis.

9. PROGNÓSTICO

A taxa de mortalidade de Shigelose não tratada depende da cepa infecciosa e varia de 10-30% em determinados surtos causados pelo S. dysenteriae 1, a menos de 1% nas infecções pelo S. sonnei. Mesmo na infecção provocada pela S. dysenteriae, as taxas de mortalidade deverão aproximar-se de zero se a reposição apropriada de líquidos e a terapia antimicrobiana forem iniciados precocemente. Em cerca de 2% dos pacientes, ocorrem artrite ou Síndrome de Reiter algumas semanas ou meses após a recuperação da shigelose.
As complicações neurológicas (convulsão, meningismo, encefalopatias, letargia, alucinações, cefaléia, confusão mental, etc.) constituem as manifestações extra-intestinais mais freqüentes da shigelose, ocorrendo mais em crianças que em adultos. Pode existir outras complicações, tais como, sepse, peritonite secundária à perfuração intestinal, insuficiência renal aguda, síndrome hemolítica urêmica, hemorragia digestiva, pneumonia, conjuntivite, uveíte, prolapso retal, osteomielite.
Progressão e Sintomas
O período de incubação é de doze a cinqüenta horas.
A ingestão das bactérias leva à invasão da mucosa do intestino e sua extensa destruição (necrose) devido à invasão e à produção de shiga-toxina. A destruição severa das células da mucosa (os enterócitos), leva à perda da capacidade de absorção de água, e à hemorragia dos vasos locais, com perda adicional de muco acentuada após destruição das células caliciformes. O resultado é a diarréia sanguinolenta e mucóide abundante, denominada disenteria.
Sintomas iniciais são devidos à perda da capacidade de absorção de água, com diarréia aquosa. Mais tarde a necrose leva à disenteria, diarréia com sangue semi-digerido, pus e muco, acompanhada de febre, dores intestinais e dor ao evacuar as fezes (tenesmo). A extensão da hemorragia e o risco de peritonite são as principais complicações, assim como a desidratação excessiva.
Ao contrário de outras intoxicações alimentares e da salmonelose (que causa diarréia não sanguinolenta), a disenteria exige tratamento médico, porque sem ele a mortalidade é de 10% com algumas estirpes mais virulentas.
febre;
dor abdominal;
Vontade constante de evacuar, podendo evacuar mais de 8 vezes no dia;
diarréia aquosa (fezes líquidas esverdeadas com pedaços de muco e, às vezes, sangue);
náuseas e vômitos;
dor de cabeça;
convulsões nas crianças;

10. PREVENÇÃO

Os indivíduos contaminados devem ser excluídos de todas as fases de manuseio do alimento até a obtenção de culturas negativas a partir de três amostras sucessivas de fezes colhidas após o término da terapia antimicrobiana. Nos surtos é obrigatório o isolamento precoce e estrito dos indivíduos. A quimioprofilaxia antimicrobiana específica não é satisfatória. Medidas de controle importantes:
Lavagem das mãos com água e sabão para manuseio de alimentos, assim como quando há manuseio de fraldas;
Destino adequado de lixo e dejetos;
Educação para população em áreas de elevada incidência;
Locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas.
Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforçadas as orientações às manipuladoras de alimentos e às mães.
Considerando a importância das causas alimentares na diarréia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo de aleitamento materno, prática essa que confere elevada proteção a esse grupo populacional;
Boa higiene e evitar alimentos e água contaminados.

O relato de caso para as autoridades sanitárias deve ser obrigatório.
Vacinas não estão disponíveis até o momento, porém existe em fase de teste uma vacina com extrato atenuado de LPS de S.sonnei conjugada a Pseudomonas aeruginosa, cujos testes têm obtidos excelentes resultados.